quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Jesus Ajuda os Discípulos a Aumentarem sua Fé



Em Lucas 17.5, os apóstolos pediram ao Senhor que lhes aumentasse a fé. Como Jesus os ajudou nisso? De duas maneiras, nas quais Ele lhes falou a verdade. Mesmo na maneira como Jesus respondeu, Ele mostra como a fé vem pelo ouvir. Conhecer certas coisas pode aumentar nossa fé.
Primeira, Ele fortaleceu a nossa fé por nos dizer (v. 6) que o elemento crucial em realizar grandes coisas, para promover o reino de Deus, não é a quantidade de nossa fé, e sim o poder de Deus. Jesus disse: “Se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a esta amoreira: Arranca-te e transplanta-te no mar; e ela vos obedecerá”. Ao se referir ao grão de mostarda, depois de receber um pedido sobre a fé aumentada, o Senhor Jesus desvia a atenção da quantidade da fé para o objeto da fé. Deus move a amoreira. E isso não depende necessariamente da quantidade de nossa fé, e sim do poder, da sabedoria e do amor de Deus. Sabendo isso, somos ajudados a não nos inquietarmos quanto à nossa fé e inspirados a confiar na livre iniciativa e poder de Deus.
Segunda, Jesus ajuda-nos a aumentar a fé por dizer-nos (vv. 7-10) que, ao fazermos tudo quanto nos foi ordenado, ainda somos radicalmente dependentes da graça. Ele nos dá uma ilustração. Talvez você queira ler novamente os versículos 7 a 10. A essência da ilustração é que o senhor de um escravo não se torna devedor deste, quando este realiza muitos trabalhos. O significado é que Deus nunca é nosso devedor. O versículo 10 resume este fato: “Assim também vós, depois de haverdes feito quanto vos foi ordenado, dizei: Somos servos inúteis, porque fizemos apenas o que devíamos fazer”. Somos servos indignos; temos feito somente aquilo que é nosso dever. Sempre somos devedores para com Deus. E nunca seremos capazes de pagar este débito, nem isto é esperado de nós. Sempre seremos dependentes da graça de Deus. Nunca conseguiremos sair de nosso débito para uma condição em que Deus é nosso devedor. “Quem lhe deu primeiro a ele, para que lhe seja recompensado?” (Romanos 11.35).
Quando Jesus disse (v. 9) que o senhor não agradeceu ao servo, a palavra “agradecer” é provocante. Creio que a idéia é de que “agradecer” é uma reação à graça. A razão por que o senhor não agradeceu é que o servo não estava dando ao senhor mais do que este merecia. Ele não estava tratando o senhor com graça. Graça significa ser tratado melhor do que merecemos. Isto é o que acontece em nosso relacionamento com Deus. Nunca podemos tratar a Deus com graça. Nunca podemos dar-Lhe mais do que Ele merece. Isto significa que Ele nunca nos deve agradecimentos. Ele nunca nos diz: “Obrigado!” Pelo contrário, Deus está sempre nos dando mais do que merecemos, e sempre Lhe devemos agradecimentos.
Portanto, a lição para nós é que, ao fazermos tudo o que devemos — quando tivermos resolvido todos os problemas da igreja, corrigido todas as atitudes de todos os crentes, mobilizado muitos missionários, amado os pobres, resgatado casamentos, criado filhos piedosos, cumprido todas as promessas que fizemos, honrado todas as responsabilidades de nossos negócios e proclamado com ousadia a Cristo — Deus não nos deve qualquer agradecimento. Pelo contrário, naquele momento nos relacionaremos com Ele como devedores à graça, assim como o fazemos agora.
Isto é um grande encorajamento para a fé. Por quê? Porque significa que Deus é tão livre para abençoar-nos antes de nos mostrarmos eficientes como também depois. Visto que somos servos “inúteis”, antes de fazermos o que devíamos, e “inúteis” depois de havermos feito, é somente a graça que motiva a Deus a ajudar-nos. Por conseguinte, Ele é livre para ajudar-nos antes e depois de O servirmos. Isto é um grande incentivo para confiarmos nEle, a fim de recebermos ajuda, quando não estamos sendo eficientes. E esta confiança é exatamente aquilo que obtém o poder de sermos eficientes.

Portanto, duas coisas aumentam nossa fé.
1. Deus mesmo, e não a quantidade de nossa fé, é o fator decisivo em remover amoreiras do caminho.
2. A graça espontânea é decisiva na maneira como Deus lida conosco antes e depois de havermos feito tudo o que devíamos.

Nunca agimos além de nossa necessidade por graça. Por isso, confiemos em Deus para as grandes coisas com nossa pequena fé e não sejamos paralisados por aquilo que ainda precisa ser feito em nossa vida pessoal, na igreja, em nossa profissão e na causa de missões mundiais.

Rev. Carlos Roberto (Bob)

Amando a Deus por Aquilo que Ele é



Uma das mais admiráveis verdades que descobri foi esta: Deus é mais glorificado em mim quando sou mais satisfeito nEle.
Este é o lema que direciona meu ministério como pastor. Afeta tudo o que eu faço.
Se eu como, bebo, prego, aconselho ou faço — em tudo isso, o meu alvo é glorificar a Deus pela maneira como o faço (1 Co 10.31). Isto significa que meu alvo é fazer tudo de modo que revele como a glória de Deus tem satisfeito os anelos de meu coração. Se a minha pregação denunciasse que Deus não tem satisfeito minhas necessidades, ela seria fraudulenta. Se Cristo não fosse a satisfação de meu coração, será que as pessoas creriam, quando eu proclamasse a mensagem dEle: “Eu sou o pão da vida; o que vem a mim jamais terá fome; e o que crê em mim jamais terá sede” (Jo 6.35)?
A glória do pão consiste em que ele satisfaz. A glória da água viva está no fato de que ela sacia a sede. Não honramos a água refrescante, auto-renovadora e pura que desce da fonte na montanha, quando lhe damos nossa contribuição por trazermos baldes de água de poços do vale. Honramos a fonte por sentirmos sede, ajoelharmo-nos e bebermos com gozo. Em seguida, dizemos: “Ahhhh!” (isto é adoração!) e prosseguimos nossa jornada com a força proveniente da fonte (isto é serviço). A fonte da montanha é mais glorificada quando mais nos satisfazemos com a sua água.
Tragicamente, muitos de nós fomos ensinados que o dever, e não o deleite, é a maneira de glorificarmos a Deus. Não aprendemos que o deleite em Deus é nosso dever! Satisfazer-se em Deus não é um acréscimo opcional ao verdadeiro dever cristão. É a exigência mais elementar de todas. “Agrada-te do Senhor” (Sl 37.4). Não é uma sugestão, é uma ordem, assim como o são: “Servi ao Senhor com alegria” (Sl 100.2) e: “Alegrai-vos sempre no Senhor” (Fp 4.4).
A responsabilidade de um pastor é mostrar com clareza aos outros que o amor de Deus “é melhor do que a vida” (Sl 63.3). Se o amor de Deus é melhor do que a vida, é também melhor do que tudo o que a vida neste mundo oferece. Isto significa que a satisfação não está nos dons, e sim na glória de Deus — a glória do amor, do poder, da sabedoria, da santidade, da justiça, da bondade e da verdade de Deus.
Esta é a razão por que o salmista clamou: “Quem mais tenho eu no céu? Não há outro em quem eu me compraza na terra. Ainda que a minha carne e o meu coração desfaleçam, Deus é a fortaleza do meu coração e a minha herança para sempre” (Sl 73.25-26). Nada na terra, nenhum dos dons de Deus, na criação — podia satisfazer o coração de Asafe. Somente Deus podia. Davi queria expressar isso quando disse ao Senhor: “Tu és o meu Senhor; outro bem não possuo, senão a ti somente” (Sl 16.2).
Davi e Asafe nos ensinam, por seu anelo centralizado em Deus, que os dons de Deus — como saúde, riqueza e prosperidade — não satisfazem. Somente Deus satisfaz. Seria presunção não agradecer a Deus pelos seus dons (“Não te esqueças de nem um só de seus benefícios” — Sl 103.2), mas seria uma atitude idólatra chamar de amor a Deus a alegria que obtemos de tais dons. Quando Davi disse ao Senhor: “Na tua presença há plenitude de alegria, na tua destra, delícias perpetuamente” (Sl 16.11), ele estava afirmando que estar próximo de Deus é a única experiência todo-satisfatória do universo.
Não era pelos dons de Deus que Davi anelava como um amante profundamente apaixonado. “Como suspira a corça pelas correntes das águas, assim, por ti, ó Deus, suspira a minha alma. A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo” (Sl 42.1-2). Davi queria experimentar uma revelação da glória e do poder de Deus: “Ó Deus, tu és o meu Deus forte; eu te busco ansiosamente; a minha alma tem sede de ti; meu corpo te almeja, como terra árida, exausta, sem água. Assim, eu te contemplo no santuário, para ver a tua força e a tua glória” (Sl 63.1-2). Somente Deus satisfará um coração como o de Davi, que era um homem segundo o coração de Deus. Fomos criados para sermos assim.
Isto é a essência do que significa amar a Deus — satisfazer-se nEle. NEle! Amar a Deus pode incluir obedecer a todos os seus mandamentos, pode incluir crer em toda a sua Palavra e agradecer-Lhe por todos os seus dons. Mas a essência de amar a Deus é desfrutar de tudo o que Ele é. Este desfrutar de Deus glorifica mais plenamente a dignidade dEle, em especial quando tudo ao redor de nossa alma está desmoronando.
Todos sabemos disso por intuito, bem como por meio das Escrituras. Sentimo-nos mais honrados pelo amor daqueles que nos servem por obrigação ou pelo deleite da comunhão? Minha esposa é mais honrada quando eu lhe digo: “Gastar tempo com você me torna feliz”. Minha felicidade é o eco da excelência dela. O mesmo é verdade em relação a Deus. Ele é mais glorificado quando nos satisfazemos mais nEle.
Nenhum de nós tem chegado à completa satisfação em Deus. Freqüentemente, sinto-me triste com o murmurar de meu coração sobre a perda de confortos mundanos, mas tenho provado que o Senhor é bom. Pela graça de Deus, conheço agora a fonte de gozo eterno; por isso, gosto muito de passar os dias atraindo as pessoas a este gozo, até que possam dizer comigo: “Uma coisa peço ao Senhor, e a buscarei: que eu possa morar na Casa do Senhor todos os dias da minha vida, para contemplar a beleza do Senhor e meditar no seu templo” (Sl 27.4).

Rev. Carlos Roberto (Bob)

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

NÃO EXISTE DESCULPA PARA SE DAR MUITAS DESCULPAS

Noventa e nove por cento dos fracassos advêm de pessoas que têm o hábito de dar desculpas” (George Washington Carver). Você nunca será um fracasso, até que comece a culpar os outros. Pare de pôr a culpa nos outros.  Descobrirá que, ao se tornar bom em se justificar, não será bom em mais nada. Justificativas são as ferramentas que uma pessoa sem propósito ou visão usa para construir grandes monumentos à presunção.
Você pode aprender com os seus erros, se não perder tempo os negando ou se defendendo. “Parece-me, nos dias atuais, que as pessoas que admitem estar erradas chegam muito mais longe do que as que provam estar certas” (Deryl Pfizer). O que o veneno é para o alimento os álibis são para a vida produtiva. “O trabalho enobrece; a muita conversa empobrece” (Provérbios). “Alguns homens apresentam milhares de razões para não fazer o que querem, quando tudo que realmente necessitam é de uma razão para fazer” (Willis Whitney).
Um dos maiores álibis é o remorso. Não deixe remorsos em campo – dê tudo o que pode no jogo da vida. “A coisa mais importante que aprendi na vida é não lamentar por nada” (Somerset Maugham). Acabe com todos os seus desgostos. “O desgosto é um terrível desperdício de energia; não se pode construir sobre ele. Serve apenas para se afundar mais ainda” (Katherine Mansfield). A verdade é que mil lamentos não pagam uma só dívida. Viva de tal modo que no fim de sua vida se possa ler em sua lápide: “Sem remorsos”.
Quando um vencedor comete um erro, diz: “Eu errei.” Quando um perdedor comete um erro, diz: “Não foi minha culpa” Você admite e diz “Eu errei” ou diz “Não foi minha culpa”? Um vencedor explica; um perdedor se justifica.
Pessoas ociosas sempre encontram desculpas. A expressão não posso em geral significa que não irá tentar. A expressão “não posso” enfraquece nossa determinação e muitas vezes causam mais mal, calúnias ou mentiras. Não posso é a pior desculpa e o principal inimigo do sucesso.
Temos muitas explicações para o fracasso, mas não uma verdadeira desculpa. “As desculpas sempre substituem o progresso” (Ralph Waldo Emerson). O livro de Filipenses declara: “Em tudo o que fizerem, fiquem longe de reclamações e de discussões, de modo a que ninguém possa atribuir nenhuma culpa contra vocês.” Álibis e justificativas deveriam ser cremados, e não embalsamados. Quem se justifica está sempre se acusando. Quando negamos um erro, nós o dobramos.
“Os melhores anos de sua vida serão aqueles em que você se decidir que os seus problemas são seus. Em que não culpa a sua mãe, nem a ecologia, nem o presidente”.  (Albert Ellis). Não adquira um álibi. Devíamos viver nossas vidas como Florence Nightingale quando exprimiu: “Atribuo o meu sucesso primeiramente ao Deus Vivo e Verdadeiro e a isto: nunca dei ou aceitei justificativa”.

                                                                                               Rev. Carlos Roberto (Bob)



Pense bem...

“O meu relacionamento com Deus não deve basear naquilo que Ele pode fazer por mim, mas no que eu posso fazer tendo um Deus como Ele”.



Assumindo O Meu Papel Na História

 
“Sucedeu depois da morte de Moisés, servo do Senhor, que este falou a Josué... dispõe agora, passa este Jordão...” Josué 1. 1,2

Os hinos tradicionais são verdadeiros tesouros, e não podem ser esquecidos. Um deles, em particular, faz vibrar todas as fibras de minha alma, cada vez que o ouço:
 
Rude cruz se erigiu,                                                Deu a vida por mim, pecador.
Dela o dia fugiu,                                                 Sim eu amo a mensagem da cruz
Como emblema de vergonha e dor.              Té morrer eu a vou proclamar.
Mas eu amo essa cruz,                                        Levarei eu também minha cruz
Porque nela Jesus                                                        Té por uma coroa trocar
                                     
(Harpa Cristã – Hino 291)

Esse cântico é uma convocação a subirmos os degraus da nossa conversão. Não é necessário ser profundo conhecedor das Escrituras para se perceber que nos convertemos em três níveis:
O nível mais elementar da conversão acontece quando nos convertemos dos falsos deuses ao Deus verdadeiro. O segundo nível ocorre quando nos convertemos do nosso egoísmo ao senhorio de Cristo e entregamos as rédeas de nossa vida nas mãos de Deus. Mas o terceiro nível de nossa conversão acontece quando nos convertemos à causa de Cristo. Somente então ele passa a ser realmente a razão do nosso viver. Abraçar o ideal de Cristo é o que nos motiva a vencer os períodos  de depressão, a tentação da carne e do egoísmo.
Alguém já disse que “os nossos ideais são como estrelas: não podemos tocá-las, mas assim como os navegantes dos mares, podemos escolhê-las como guias, e segui-las”. E meu desejo é que você também abrace a causa de Cristo com o mesmo ardor e a mesma determinação com que a abraçaram homens que, como Josué, trilharam a senda do chamado de Deus com determinação e graça.
Eis um nível de conversão que muitos de nós ainda precisamos experimentar. Ainda somos pessoas que trabalham para comer, comem para sobreviver, e vivem para trabalhar. Precisamos abraçar o ideal de Cristo, e estar prontos para viver e morrer por ele.
Aprendemos que quando abraçamos o ideal de Deus, assumimos o nosso papel histórico. Moisés já morreu. Alguém precisava tomar o bastão e levá-lo adiante. E tem de ser um homem que esteja disposto a exercer seu papel histórico.
Comecei a exercer o pastorado com 28 anos de idade, e naquela época pensava: “Quando chegar o dia em que for preciso assumir a minha responsabilidade histórica dentro do reino de Deus eu o farei”.  E esta semana, enquanto escrevia esse texto, comecei a me dar conta do seguinte:
O pastor que me batizou já morreu.  O que fez a minha pública profissão de fé também morreu. Dos dois pastores que fizeram minha cerimônia de casamento, um já morreu.  Dos três pastores que participaram da minha ordenação, um morreu, e um foi jubilado.
Com idade que estou hoje, Alexandre, o Grande, já tinha conquistado o mundo e já tinha morrido; Mozart já havia sido consagrado o grande gênio da música mundial; John Kennedy já tinha sido senador dos Estados Unidos; Billy Graham já tinha pregado ao mundo inteiro.
Pensei comigo mesmo que por todos esses anos esperava o dia de começar a assumir a minha responsabilidade, mas os dias voaram, as semanas passaram ligeiro, os anos se transformaram em décadas, e fico a perguntar: “Quando, Senhor?”
Mas é hoje que o mundo precisa de uma igreja que assuma historicamente, que não esteja apenas em busca de bênçãos, mas levantando os olhos para as nações da terra que precisam ser alcançadas com o Evangelho de Jesus Cristo.
Deus está procurando homens e mulheres que estejam dispostos a assumir a responsabilidade do contexto histórico no qual estão vivendo e tomem o firme propósito de não permitirem que os anos passem, virem décadas e que as décadas passem por suas vidas enquanto eternamente se prometem que um dia levarão as coisas de Deus a sério.,
Tenho grande admiração pela história de vida de João Wesley, o grande fundador da igreja metodista. John Wesley orava assim: “Senhor, dá-me cem homens que não temam outra coisa senão o pecado,  não amem outra pessoa senão a Deus, e eu abalarei o mundo. Não me importo se são pastores ou leigos, com eles eu devastarei o reino de Satanás e edificarei o reino de Deus na terra”.

Chegou a hora da Ipcamp – Igreja Viva se despertar, assumir seu papel histórico, como povo do Cristo Vivo dizer: “Eis-nos aqui, Senhor, reveste-nos com a tua graça!” O bastão está na nossa mão. A ordem está diante de nós. Quem irá? Quem se dispõe a dizer: Eis-me aqui, Senhor!
 Rev. Carlos Roberto (Bob)


segunda-feira, 7 de novembro de 2011

CORAÇÃO COMPUNGIDO E CONTRITO



"Os sacrifícios que agradam a Deus são um espírito quebrantado; um coração quebrantado e contrito, ó Deus, não desprezarás" (Salmos 51.17)

Uma das marcas do nosso tempo é o abandono do temor a Deus. Temor é uma palavra que a cultura contemporânea excluiu do dicionário. No lugar dela, cresce a busca pela autoconfiança. Uma vez que não temos nenhum referencial fora de nós, assumimos que somos nosso próprio deus. Num mundo assim, não existem limites ou fronteiras. Tudo é possível, permitido e aceitável. Surge então um desequilíbrio perigoso.
A oração do rei Davi no Salmo 51 é uma das pérolas da Bíblia. Não posso imaginar a vida sem essa oração, que nos conduz às profundezas da alma humana. Encontramos nela o espelho dos movimentos mais profundos de nossas emoções. Ela descreve a anatomia da alma humana e demonstra um equilíbrio maduro entre o temor a Deus e uma auto-estima saudável.
O contexto é bem conhecido. Trata-se do terrível adultério do rei Davi com Bate-Seba, seguido da trama para matar seu marido, Urias. O plano perverso de Davi acontece. Depois da morte de Urias, ele se casa com Bate-Seba e o filho nasce. Porém, Davi não consegue conviver em paz com seu pecado. Graças a Deus por isso. Ele tentou esquecer, remendar, mas nada adiantou. Seu corpo começou a sentir o peso do pecado. Por mais que a cultura moderna nos tente convencer que o pecado não existe, seus sinais estão por toda parte.
Não havia sacrifício para o pecado de Davi, já que o crime que cometeu fora premeditado. É por isso que ele diz: “Pois não te comprazes em sacrifícios; do contrário, eu tos daria; e não te agradas de holocaustos”. Davi então entende que o sacrifício com o qual Deus se agrada é um espírito quebrantado e um coração compungido e contrito. Pouca coisa descreve melhor a necessidade humana do que essa declaração. Algumas razões:
Um espírito quebrantado e um coração contrito nos conduzem à realidade sobre quem somos. Observe os pronomes usados por ele: “minhas transgressões; minha iniqüidade; meu pecado; eu pequei contra ti; eu fiz o que é mau, eu nasci na iniqüidade”. Davi tem consciência de quem ele é. Isso nos ajuda a parar de jogar e brincar com a vida - a nossa e a dos outros. Por causa desse coração e espírito, ele assume seu erro e pecado. Não busca justificar seu erro com o erro dos outros, com aquelas desculpas conhecidas: “todo mundo faz o mesmo”, “não tive escolha”, “fui pressionado”. Ele não diz que foi “consensual”. Adultério é adultério, mesmo sendo consensual. Ele sabe que sua ofensa atinge primeiramente a Deus: “Pequei contra ti, contra ti somente, e fiz o que é mal perante os teus olhos; esconde o rosto dos meus pecados; não me repulses da tua presença, nem me retires teu Santo Espírito”. É a Deus que ele ofendeu, antes de Bate-Seba e Urias. É isso que o temor a Deus produz.
Essa oração nos conduz também a uma compreensão real sobre Deus. Veja a forma como ele se refere a Deus: compaixão, benignidade, misericórdia, amor, justiça, santidade. Ao pedir para ver a glória de Deus, Moisés ouviu a seguinte resposta: “Farei passar toda a minha bondade diante de ti... terei misericórdia e compaixão”. Davi volta-se para essa revelação, para o amor eterno, amor da aliança. É nesse amor que ele se apega. É nessa compaixão que ele deposita sua confiança.
É uma oração que nos conduz a um milagre. Encontramos nela afirmações enfáticas: “Purifica-me, lava-me, faze-me ouvir júbilo e alegria, cria em mim um coração puro, renova dentro em mim um espírito inabalável, apaga as minhas transgressões, restitui-me a alegria da salvação, sustenta-me com um espírito voluntário, livra-me dos crimes, abre meus lábios”. Ao suplicar pelo milagre de um coração puro, Davi usa a mesma palavra de Gênesis 1: Deus criando a partir do nada. Somente ele pode criar uma nova realidade, uma nova criação. É exatamente o que Jesus veio fazer: “Eis que faço novas todas as coisas”.
Deus não despreza um espírito quebrantado e um coração contrito. É somente com um temor sincero para com ele que podemos desenvolver uma compreensão clara sobre nós. É essa atitude que torna possível ao ser humano construir uma autoconfiança saudável.
Rev. Carlos Roberto

 

 


Pense bem...

 

Um espírito quebrantado e um coração contrito nos conduzem à realidade sobre quem somos. Observe os pronomes usados por ele: “minhas transgressões; minha iniqüidade; meu pecado; eu pequei contra ti; eu fiz o que é mau, eu nasci na iniqüidade”. Davi tem consciência de quem ele é. Isso nos ajuda a parar de jogar e brincar com a vida - a nossa e a dos outros. Por causa desse coração e espírito, ele assume seu erro e pecado.”

terça-feira, 1 de novembro de 2011

UM CORAÇÃO GRATO A DEUS


“As primícias dos frutos da tua terra trarás à Casa do Senhor, teu Deus...”  Êxodo 23.19

Este texto nos convida a trazer as primícias da colheita para Deus. Trata-se de oferecer antecipadamente , expressando nossa confiança e dedicação. Esta oferta revela uma gratidão não circunstancial, mas existencial, movida por reconhecimento, não por medo e barganha. Ela é fruto da consciência de quem Ele é e de quem somos. Em primeiro lugar4, porque Deus é bom e “a sua misericórdia dura para sempre” (Salmo 106.1).
Esta premissa nos parece óbvia e natural, mas Deus poderia ser um tirano, sádico, cruel, que tivesse  prazer em nos enganar, como faziam algumas divindades da Antiguidade. Ele poderia nos controlar através do medo, mas deseja nos cativar e estabelecer  conosco uma relação filial. Apesar disso, nossa maior tentação é duvidar de sua bondade. Foi essa dúvida insuflada pela serpente, que provocou a Queda. Em seu livro A BATALHA DA CRUZ, Rubem Amorese comenta: “A estratégia de Satanás [...] consiste em produzir , por meio do sofrimento, um coração ingrato; portanto, ressentido, rancoroso, amargurado, revoltado e rebelde”.
Achamos que, por nos amar, Deus deve nos livrar do sofrimento. Assim, quando o mal nos aflige, sentimo-nos como que abandonados por Deus. Até Jesus questionou o Pai na cruz, mas morreu reafirmando sua comunhão com ele.
Sim, Deus é fiel. Seu amor é generoso e incondicional. Não depende de reciprocidade. Não é manipulador, com a maioria de nossos relacionamentos. Não é uma incógnita. Pelo contrário: revela-se, em vez de se esconder e nos deixar tateando no escuro. Também não é um deus ausente, mas um Deus que intervém, muitas vezes através de nós, dando-nos o privilégio de ser emissários, portavozes e expressão de seu amor. Tampouco é um deus distante ou autoritário, mas um Deus que nos ouve e interage conosco.
Portanto, nossa gratidão é fruto do olhar amoroso e perdoador de Deus, que nos liberta da culpa, rebeldia...
Todavia, temos observado em nossa religiosidade que é mais fácil  ser grato pelos benefícios materiais. Mas, mesmo assim, às vezes demoramos em sê-lo, pois, só damos valor à saúde quando ficamos doentes. Só valorizamos as pessoas quando deixam saudades. Só valorizamos a igreja quando mudamos para longe ou diante de outras impossibilidades. Dessa forma, se somos ingratos em relação às bênçãos materiais, quanto mais com as bênçãos que dependem de discernimento. Pois, a gratidão nos renova, nos ajuda a enxergar além do sofrimento, além do mal (2 Coríntios 4. 15-18), nos permite dar graças pelas provações (Tiago 1.2); não pelo sofrimento em si (que não é  da vontade diretiva de Deus), mas pela capacidade divina de reverter o mal em bem.
Deus nos alerta que, no mundo teremos tribulações. Ele não nos livra sempre das dificuldades, mas muda nosso olhar sobre elas. Está junto para nos capacitar a lidar com o sofrimento, de forma que este  não seja inútil. Ele nos ajuda a passar da revolta para a superação. Gratidão é uma graça que nos capacita a discernir  quem é Deus e quem somos para viver e partir de nossa verdadeira identidade de filhos amados pelo Pai, salvos  pelo Filho e capacitados pelo Espírito Santo.
Rev. Carlos Roberto

 

 


Pense bem...

 

“Deus nos alerta que, no mundo teremos tribulações. Ele não nos livra sempre das dificuldades, mas muda nosso olhar sobre elas.”

“O propósito da vida é viver com propósito”



O que faz diferença entre a vida cristã altamente motivada e a vida cristã que obedece a uma rotina sem nenhum entusiasmo? O apóstolo Paulo, em sua despedida aos cristãos de Éfeso (Atos 20. 17-38), faz algumas declarações que deixam transparecer segredos para uma vida cristã fascinante, cheia de aventuras com Deus.
Parece que Paulo conseguia fechar os olhos e ver o filme do Reino de Deus se desenrolar na história. Suas palavras “o Espírito Santo me diz, de cidade em cidade” (Atos 20.23) indicam que, à semelhança de Jesus, estava em sintonia com o mover de Deus (João 5.19), e conseguia ver o que o Espírito Santo estava fazendo e desejando fazer em seus dias ao redor do mundo. Ele enxergava o futuro, e percebia toda a trama espiritual envolvida na construção desse futuro. Paulo fechava os olhos e via lugares, pessoas, situações; ouvia a trilha sonora que fazia fundo à ação ininterrupta de Deus na história humana.
Está claro que o apóstolo Paulo se via nesse filme. Ele conseguia enxergar sua contribuição específica no processo histórico do reino de Deus. Ele participava de muitas cenas desse filme que lhe passava pela mente e pelo coração. Ao reafirmar seu dever de “completar a carreira” (Atos 20. 24), o apóstolo expressa claramente a convicção de que, no filme do Reino de Deus, ele não era espectador, mas ator. Não estava na platéia, mas em cena. Além disso, declara que sabia exatamente qual era o papel que lhe cabia e quais eram as expectativas do Grande Roteirista para ele, Paulo. O fato é que o apóstolo não encarava a vida como sucessão aleatória de circunstâncias. Ele via as circunstâncias como sets de filmagens para que ele pudesse cumprir seu papel nessa superprodução de Deus. Consciente de seu papel aproveitava todas as situações de seu cotidiano como oportunidades do Reino.
Por fim, declara solenemente a convicção de que seu papel representava uma vocação divina: “A carreira que recebi do Senhor Jesus” (Atos 20.24). Paulo sabia que seu papel fora desenhado, concebido pelo Senhor do Reino especialmente para ele – algo como se o Senhor Jesus tivesse preparado o apóstolo para aquele papel específico da história. Ele estava convicto de que aquilo que o Senhor Jesus esperava dele era algo que poderia fazer porque fora talhado para aquela cena. O papel tinha a cara dele.
Essa certeza – de que temos uma contribuição a dar no Reino de Deus, uma contribuição que somente nós, naquela situação, podemos dar – torna a vida cristã uma aventura fascinante. Essa visão do todo e este senso de localização histórica, ainda mais numa trama com significado eterno, traz paz e nos torna mais bem-sucedidos na vida. Todos os estudiosos do comportamento humano acreditam que um dos fatores mais importantes para o equilíbrio humano é a visão do futuro aplicada à situação específica de si mesmo.
Por isso irmãos, Jesus tinha razão: a vida deve ser vivida na perspectiva do Reino de Deus: “buscai primeiro”, e a partir desse compromisso experimentar “todas as outras coisas”. Quem busca primeiro “todas as outras coisas” cava a própria sepultura existencial, pois “aquele que quiser salvar a sua vida perdê-la-á, mas quem perder a sua vida por minha causa, disse Jesus, vai achá-la” (Mateus 16.25).
Paulo encarava que o lugar para onde Deus chama é o local no qual sua alegria mais profunda e a maior necessidade do mundo se encontram. Pois, seu propósito em viver é servir a Deus por meio do serviço a humanidade. Dessa forma, com muita autoridade, afirmava que todas as coisas que aconteceram em sua vida contribuíram para a expansão do Reino de Deus. Portanto, temos que nos fazer uma pergunta muito importante. No mais profundo de nossos corações: o que queremos edificar - nosso próprio reino ou a expansão do Reino de Deus? O homem tem dentro de si um desejo de edificar. A questão é: estamos edificando para nós mesmos ou para Deus? Vamos cair na armadilha de Satanás – o orgulho? Seremos como Nabucodonosor, que disse em Daniel 4.30: “... Não é esta a grande Babilônia que eu edifiquei...?”
Tenho que ser muito honesto e dizer, que o que vejo pregar sobre a mensagem do Reino de Deus hoje em dia, e o que leio nas escrituras sobre esta mensagem são duas coisas completamente diferentes.
Com a mesma intensidade estou também convencido de que, se Martinho Lutero, o homem a quem Deus usou para fazer com que a Reforma acontecesse, estivesse em nossa igreja evangélica de hoje, ele estaria fazendo todo o possível para que houvesse outra reforma. Elton Trueblood também disse que nós precisamos de uma segunda reforma. A primeira reforma entregou a Palavra de Deus ao povo de Deus, agora, porém, precisamos de uma reforma que entregue a Obra (Missão) de Deus ao povo de Deus.
Rev. Carlos Roberto

 

 


Pense bem...

 

Jesus tinha razão: a vida deve ser vivida na perspectiva do Reino de Deus: “buscai primeiro”, e a partir desse compromisso experimentar “todas as outras coisas”. Quem busca primeiro “todas as outras coisas” cava a própria sepultura existencial, pois “aquele que quiser salvar a sua vida perdê-la-á, mas quem perder a sua vida por minha causa, disse Jesus, vai achá-la” (Mateus 16.25).